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maio 30, 2008
Depois de quase dez anos, a primeira vez que eu me senti menor que meu irmão mais velho foi quando ele, de pé no meio da minha sala, eu ainda bêbado de sono e tranqüilo, sem lembrar que uma visita de madrugada ne predict rien de bon, me disse que nosso pai havia morrido. Aquelas palavras me transportaram para um tempo em que eu era o menor membro da família (hoje sou o mais alto), tanto que eu até mesmo cheguei a ver nele o rosto e o cabelo de 15 anos atrás.
Nos dias seguintes, quis saber como foram as cenas irmãs desta que eu vivi - com nosso outro irmão, nossos tios, os amigos da família, todos sabendo do fato por telefone; e em todas as ocasiões as reações foram a mesma. Não, não. Não definitivo.
O dia da morte é o dia do telefone, e se não tive o desgosto de receber também eu uma ligação entre as tantas que fizemos é porque moro perto o suficiente para ter motivado meu irmão a me fazer o que eu vou lembrar para sempre como a pior visita que já recebi.
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É também doloroso o mundanismo com que se é obrigado a lidar nesta situação. Sempre brinquei dizendo que queria que meu funeral durasse 45 dias, durante os quais se construiria minha pirâmide; devia haver um time de 33 carpideiras, e o mestre de cerimônia seria David Butter. John Santos faria o meu elogio.
Mas se somos inimigos do mundo, ele também é nosso. Tivemos que enterrar meu pai quinze horas após morrer; sem pirâmide, sem carpideiras e sem mestre de cerimônias. Elogio também não houve, embora tivéssemos muitos elogios. Não teve nem terá uma pirâmide, mas soube fugir deste Egito e, no seu navio de um só tripulante-passageiro, atravessou o mar vermelho, aberto ou fechado, e rumou para a Jerusalém eterna. As carpideiras não vieram, mas muitos amigos vieram chorar de graça. Sobre o caixão, NSJC dispensava a necessidade de um MC.
Você levou a melhor, pai.
Posted by Igor at maio 30, 2008 11:38 AM
Comments
Igor, só agora por motivos logísticos e ergonômicos. Pena que sua semana foi embora antes de começar.
Engraçado como a falta do pai engrandece os irmãos, não é? Os meus também são gigantes.
Abraços,
Mauro
Posted by: mauro at junho 13, 2008 12:32 AM