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maio 20, 2008

It's alive

ramones ao vivo.jpg
Alertado pela minha irmã, caiu a ficha de que ontem seria aniversário do Joey Ramone, vocalista dos Ramones. Entonces, um turbilhão de emoções passou pela minha cabeça.
Ramones foi, talvez, a banda da minha vida – pelo menos a da minha adolescência eu posso afirmar com convicção que foi. Duro, míope, órfão de pai aos 15, totalmente contra tudo o que era tido como padrão social (I was a teenage, remember), mas ao mesmo tempo sem entender o que se passava ao redor, me identificar com o quarteto nova-iorquino foi fácil. Pela postura, pelo som cru e pelas letras niilistas – as quatro primeiras músicas deles tinham como título “I Dont wanna” alguma coisa, e a quinta foi “Now I Wanna Sniff Some Glue”, haha. Ou sacadas certeiras como essa:

I JUST WANNA HAVE SOMETHING TO DO
Hanging out of Second Avenue
Eating chicken vindaloo
I just want to be with you
I just want to have something to do
Tonight, tonight, tonight,tonight,tonight,tonight
Well allright.
Tonight, tonight, tonight,tonight,tonight,tonight
Wait-Now
Wait-Now
Hanging out all by myself
Cause I don't want to be with anybody else
I just want to be with you
I just want to have something to do
Tonight

joey ramone.jpg

E também pelo fato de, qualquer que fosse minha atitude, ela passaria a margem. Como os Ramones: tentaram punk, tentaram hardcore, tentaram baladas (gravaram Ronettes, no último disco que o Phill Spector produziu), regravações (algumas versões foram definitivas, como Do You Wanna Dance, Surfin Bird, Spiderman – sem falar num dos melhores discos de covers da história, o fantástico Acid Eaters, de 93), lançaram um apelo pra tocarem no rádio (a matadora We Want the Airwaves, de 81), tiraram sarro do We Are the World (a pungente (rá!) Something to Believe In, de 86)... e nada. Só tiveram sucesso no Brasil, Chile, Argentina e Japão – além do reconhecimento dos europeus. Perguntem a Sex Pistols, Clash, Pretenders, Motorhead, Paul Di’Anno, entre outros, quem os inspirou a montar uma banda. Influenciaram praticamente TUDO de 76 em diante.
Além de terem pelo menos 02 ao vivo entre os melhores de todos os tempos (It’s Alive, daqueles que dá pra você por numa festa e deixar rolar inteiro, e o alucinante Loco Live, sempre com as músicas iniciando com o mítico "one-two-three-four", tirado de I Saw Her Standing There, dos Beatles – que aliás também gerou o nome da banda: no começo, pra despistar as fãs, Paul McCartney usava o nome “Paul Ramone”, em hotéis). Pra não falar dos clipes: a da já citada Something to Believe In, que reúne o quem é quem do underground americano dos anos 80, o clima on the road de I Wanna Live (que na verdade é um sarro rasgado de Wanted Dead or Alive, do not-so-Bon Jovi), o ar fúnebre de Pet Sematary (com Johnny Ramone tremendo de frio) e um dos melhores clipes de animação ever, I Dont Want to Grow Up – versão também considerada definitiva pelo próprio Tom Waits.
Joey nasceu em 51 e morreu em 2001 (de câncer linfático), sempre em Nova York. Virou nome de rua. E merece ser lembrado, sempre. Porque um cara tão feio como esse não iria tão longe se não fosse talentoso...

Joey Ramone Place NYC.jpg

RIP, Joey. GABBA GABBA HEY!

 Joey Ramone - What A Wonderful World

 Ramones - Pinhead

 Ramones - 13 - Bonzo Goes To Bitberg


 Ramones - Needles and pins

 Ramones - I just wanna have something to do

(Rodrigo Rover, convidado do A Postos e dono do Seleta de Prosa)

Posted by Rodrigo Rover at maio 20, 2008 08:27 PM

Comments

O primeiro show de verdade que eu fui na vida foi dos Ramones, a turnê final Adios Amigos. Eu tinha 13 anos.

Posted by: Alessandra at maio 20, 2008 09:21 PM

quase chorei! hehehe. joey ramone sempre foi minha inspiração! ele sempre foi tipo, meu amigo imaginário. foda.

Posted by: thais at maio 20, 2008 10:54 PM

O último parágrafo é daqueles que eu gostaria de ter escrito. Um beijo!

Posted by: Janaína at maio 21, 2008 02:38 AM

Eu fui num show deles. E a-do-rei. Adoro Ramones, Rover, querido. Que delícia logo pela manhã, vir aqui e poder ouvi-los. Fiquei ausente um tempo, né? Perdão, viu? Mas não deixei de ler, tá? Você sabe que neste espaço me sinto em casa, né? Beijos

Posted by: marie tourvel at maio 21, 2008 11:19 AM

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