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maio 15, 2008

Escuta aqui VOCÊ, rapá!

Jornalista brasileiro de música é a coisa mais fácil de esculhambar, em sua imensa maioria: seja por fazer questão de agradar a panela, seja por ser baba-ovo de qualquer coisa que venha de fora. Ou seja: é muito fácil. Mas as vezes também é irresistível, não dá pra passar batido. Álvaro Pereira Junior, colunista do Folhateen e Chefe de Redação do Fantástico, é do segundo time. Com uma retificação: onde está "qualquer coisa", leia-se "qualquer coisa obscura e que não faça sucesso". Descendente da linha Pepe Escobar e André Forastieri do jornalismo musical, sua coluna no Folhateen tem o "cd player": coisas que ele recomenda em maior (play) ou menor (pause) escala, e os quais deveríamos, ignóbeis que somos, passar batido (eject). Pois bem. Essa semana, Álvaro nos brinda com essa relação:

PLAY - "Adrenalin", Bauhaus
Faz tempo que estou para elogiar a ressurreição do Bauhaus, mais góticos que nunca.

EJECT - "Alice", Moby
É chato dizer, porque gosto do cara, mas, criativamente, Moby está esgotado.

EJECT - Whitesnake e Megadeth no Brasil
Continuamos como cemitério do rock mundial, recebendo tranqueiras que ninguém mais quer.

Já digo de cara: exceção feita ao Megadeth, gosto de todos os outros artistas. Mas peraí: a volta do Bauhaus, com todo respeito, gerou repercussão pouca ou nenhuma! Já a do Whitesnake, uma turnê mundial, com disco novo e o escambau (que rima horrível), fora a cotação para abrir a tão esperada (oremos!) turnê de retorno do Led Zeppelin... enfim, só o complexo de vira-latas (dá-lhe Nelsão Rodrigues!) explica essa admiração tosca: "ninguém se ligou que o Bauhaus voltou? Beleza! Vou elogiar, porque sou antenado e cool". Pode ter certeza que a Melody Maker ou a NME amaram a volta do Bauhaus. Se o Bauhaus viesse ao Brasil, levaria eject? O Brasil continuaria um "cemitério do rock mundial"? Repito, gosto de Bauhaus, mas nessa o oráculo do Folhateen escorregou no próprio argumento. Só mesmo a questão "gosto pessoal" explica (embora não justifique) esse tipo de argumento pueril - que aliás, pegaria até bem num fanzine, numa Rock Brigade da vida, mas na Folha de São Paulo? Óbvio, é uma coluna, o cara pode escrever o que lhe der na telha, pode ter a opinião que quiser, é certo - mas também pode ser cobrado por isso, oras. Quem escreve o que quer...

Coerência, onde estás que não responde?

(Rodrigo Rover, convidado do A Postos e dono do Seleta de Prosa)

Posted by Rodrigo Rover at maio 15, 2008 08:41 PM

Comments

Ô, Rodrigo, who gives a flying fuck to APJ? (Not me. Um abraço.)

(R: Salve Ruy! Aí é que mora o perigo: nobody gives a shit, mas o cara tem uma coluna sobre música na FSP desde quando EU era adolescente! E, vamo lá, já tem um tempinho. Teve até um filhinho, o Lúcio, conheces?)

Posted by: Ruy at maio 15, 2008 09:42 PM

cara, o mesmo cara que falou (pra minha pessoa, eu lembro bem) "os caras estão gagá", referindo-se àquela banda que conhecemos muito bem (e que nos brindou com AQUELE show memorável) é digno de pena. só isso.

(R: He sucks at all)

Posted by: thais at maio 15, 2008 10:50 PM

Ficou limpo, funcionalista, "clean" seu espaço. Movable Type e tudo. Muito chique mesmo! Com partipação do Wunderblogger Master. (Estão vivos? Eu gostava do Ruy Goiaba, mas ele não gostava de mim).
Eu não gosto do Whitesnake, eu não entendo muito por favor me corrija, mas que estavam a 2 palmos de serem posers, eu gostava do Moby devo ter ouvido o ultimo dele e pelo fato de eu não me lembrar mais de nada penso que seja ruim ou simplesmente esquecível, o Bauhaus eu gostava muito , mas não ouvi então não posso dizer nada.
Eu lia Pepe Escobar, e Mauricio Kubrusly quando escreviam na revista Som Tres e gostava muito (Será que era por que eu tinha 10 anos de idade?)
Quanto ao Álvaro Pereira Junior, eu nunca gostei, mas ajudou a melhor a Globo, pois ele comenta melhor que o Marcio Garcia (sic) na cobertura de festivais.
Acho que na folhateen , ele tem que decidir se vai dar "eject" ou "play" para coisas que fazem sucesso ou pra coisas que ele gosta. Se explicar isso tudo bem.
Por mim, todos musicos citados poderiam no melhor estilo Ritchie Valens & Buddy Holly & Big Bopper, pegar um avião todos juntinhos e abraçar uma montanha bonito, penso que a música do futuro não iria perder absolutamente nada. Eu ficaria muito triste pelas mulheres os amigos e os filhos e as possíveis plantinhas, e bichinhos da florestas destruidas pelo avião, mas como Marina dançou, e vai tudo pro beleleu, foda-se, vamos botar pra fuder mesmo.É isso aí!

(R: Grande CakeLord! Agora a coisa anima. A-la Jack the Ripper: O espaço não é meu, imagina. Estou como convidado, então não posso falar palavrão nem falar mal da decoração. Mas q é maneiro, é.// Se vc gostava de Pepe Escobar e Kubrusly, pela sua idade da época perdoa-se.// Ponha um cone e ele se sairá melhor q o Garcia E o APJ...// Ruy Goiaba is in da house, alive and kicking. Passa lá e dá um oi q ele vai amar...// Gosto do povo, mas a idéia do avião não é de todo ruim. E ainda teria assunto pra "n" posts...// Currículo Lattes? Eita...)

Posted by: Homemque fezumbolodelaranja at maio 16, 2008 02:58 AM

vamos todos pra o inferno!

(R: mas agora-AGORA? Não podemos ficar mais um tempinho?)

Posted by: Homemque fezumbolodelaranja at maio 16, 2008 03:06 AM

Espera um pouquinho, tenho que desligar meu Sex Pistols aqui... Sou tão cool, mas tão cool que oro pra não presenciarmos o retorno do Scorpions. Mas te ajudo na oração para a turnê do Led. E usa aquele meu lema, Rover, pau no APJ... Beijinhos, querido.

Posted by: marie tourvel at maio 16, 2008 11:02 AM

Eu vou discordar aqui ( só faço isto porque você não é um membro permanente do Apostos. Se não, já sabe, seria a velha babação de sempre... )
Eu gosto das colunas do Álvaro Pereira Júnior, embora raramente o acompanhe. E gosto especialmente quando ele cria polêmica com os aborrescentes que o lêem.
NO mais, ele e aquele a quem você se refere como "filho" dele, Lúcio Ribeiro, são legais justamente por falar sempre da melhor banda da última semana em um lugar remoto do mundo. Ou você preferiria um colunista da Folha de SP comentando sobre os últimos trabalhos do Capital Inicial e do Charlie Brown Jr.? Já fui atrás de algumas bandas por indicação do APJ e do Lúcio e, na maioria das vezes, achei um lixo. Ainda assim, não fossem eles, não teria a oportunidade ímpar de falar mal de bandas ruins no nascedouro de seu sucesso.
Outra coisa: A opinião política de APJ também é, no mínimo, cool. Dia desses ele meteu o pau no Michael Moore e eu penso: Qualquer pessoa que meta o pau no Michael Moore na Folha de SP merece meu respeito!

(R: Pô, eu sou convidado mas sou limpinho :-) Por partes: já fui fã do cara, admito. Mas chega uma hora que cansa, como um brinquedinho: você gosta, brinca e enjoa, passa pra outro. Crise dos 30 (no meu caso)? Pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que hoje só me aborrece. Ele está virando um dinossauro de si mesmo. Porque pra banda ser boa pra ele, tem que ter "cheiro de novidade", "atitude" e ser "cool", repare: via de regra, o som é a última coisa que ele aborda (quando aborda). Pra mim, basta a banda ser boa - mesmo que evoque Buddy Holly ou que chegue cheirando a novo como o Strokes. Quanto a Michael Moore, totally agree. No mais, aqui discordância é sempre bem-vinda. Obrigado pela visita, volte sempre (e depois aparece no Seleta pra tomar um café). Quanto ao Lùcio, passo. Abraço.)

Posted by: Ângelo da C.I.A. at maio 16, 2008 11:26 AM

Tô com o Ângelo. Geralmente, quem é atacado "por esporte" é bom. E o APJ é muito bom.

(R: Por esporte? Conheço mais fãs que detratores dele. Também não o acho ruim (embora mais perto do "ruim" do que do "muito bom", admito), apenas fazemos, vá lá, leituras diferentes do que ele aborda. E tá beleza. Abraço)

Posted by: david at maio 16, 2008 02:25 PM

Todo mundo vai me achar muito mané se eu disser que dificilmente leio crítica de livro, teatro, cinema, música?

(R: Jana, no caso em questão, não. Aliás, como é você, nem nos outros todos possíveis... mas neste caso, definitivamente não.)

Posted by: Janaína at maio 16, 2008 06:47 PM

O grande lance do Álvaro e que despertou meu interesse pelo o que ele escreve é que ele NUNCA leva a crítica musical a sério. Todos nós sabemos o quanto é descartável esse tipo de função, 99,9% das pessoas que escutam música estão cagando pelo que é escrito pela crítica.

Comecei a ler sua coluna em 1999, no começo achava que ele não passava de um babaca leviano, mas não demorou muito tempo para que eu começasse a respeitá-lo. É fato, seu texto destoa completamente da média do que se encontra por aí, goste você ou não. Pra quê ele iria perder o tempo escrevendo sobre o que está morto e enterrado ou o que já está estabelecido no "show business"? Já há trocentas pessoas fazendo isso, bem ou mal. Como eu vivo num país que culturalmente é uma ilha fechada em si mesmo, com uma, pra lá de irritante, "cultura oficial, prefiro arriscar e fugir do óbvio mesmo que as vezes quebre a cara.

Enfim, relaxem e gozem, e deixem de levar tão a sério o que ele escreve, nem ele mesmo leva.

Posted by: Carlos Pereira at maio 21, 2008 07:28 PM

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