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maio 27, 2008
Em defesa da Idade do Bronze entre os Cristãos
No domingo, último de maio, como você talvez saiba, nós outros católicos temos o costume de coroar Nossa Senhora Rainha do Céu, então vestimos crianças de anjinhos para fins de ornamentação. De fora da Igreja, deve parecer um estranho espetáculo os anjos de all-star.
Num certo momento, passou uma família crente. Um deles olhava para o pátio da Igreja, e eu cri ter lido em seus olhos um certo senso de superioridade, de quem pensa algo como "Ei-los, os idólatras; eis-nos, os escolhidos do Pai". Mas edulcoro; nos ouvidos de minha alma o que eu ouvi foi a versão em idioma católico, esta atrevida mistura de espanhol, italiano e irlandês, na qual a frase acima só poderia ser traduzida como "Ei, babaca, minha turma é melhor que a tua".
Respondi mentalmente algo na linha de "Que que cê tá olhando, fruto do nominalismo? Vem cá que a gente faz mais uma noite de São Bartolomeu".
E nessa hora eu lembrei de você, e de outros, mas principalmente você, João: e te abençoei à distância, por me lembrar que, sim, é possível amá-los, pessoas estranhas que não comem o corpo de NSJC; e é até bom que não cheguemos nunca a nos socar as caras, mas, João, prometo tentar nunca te deixar sossegado, e peço que nunca me deixe quieto também: Porque se nossas diferenças não são bom motivo para nos matarmos, elas estão mortas, não estão gravadas em nós. Assim como os filhotes de lobos brincam lutando, vamos lutar, não para nos machucarmos, mas para nos fortalecermos.
Um soco na cara é mais próximo que um aceno à distância; o soco é um primo bêbado do abraço. A briga tem um significado pelo menos: nós nos importamos com isso, queremos a mesma coisa, mas discordamos; e nos importamos tanto que estamos dispostos a destruir a mão e o rosto; entregamos mesmo a vida em nome disso.
Se um dia todos os cristãos se abraçarem, ótimo. Mas senão, Deus impeça este ecumenismo em que ou eu não acredito que exista um caminho para o céu e outro muito largo para inferno, ou eu não me importo com a possibilidade de meu irmão pegar o caminho ruim. Vamos nos empurrar, que é um modo de puxar;como São Pedro, vamos pescar homens; durante o processo, assim praza a Deus, ficaremos sabendo qual é o barco, qual é o lago. Enquanto isso, porrada; com amor, mas porrada.
Posted by Igor at maio 27, 2008 07:58 PM
Comments
Bem vindo de volta, camarada. Abraços, Márcio.
Posted by: Márcio Guilherme at maio 28, 2008 12:22 AM
Porrada no John!
Posted by: Alexandre S. at maio 28, 2008 03:32 AM
Welcome back, caríssimo. Aguardo, agora, que o John apareça por aqui para reencenarmos aquele embate Ali x Foreman. ;) Abraços!
Posted by: Ruy at maio 28, 2008 03:46 AM
Márcio, Alexandre, Ruy - Muito obrigado pela hospitalidade; aqui eu sempre me sinto realmente em casa.
Que fique claro, eu amo o John como a um irmão; e claro que eu quero convertê-lo ao catolicismo, mas no máximo usarei sardinhas, nescaus e pescotapas, tendo em vista que sou tão violento quanto sou bobão.
E mesmo ninguém tendo perguntado, o orgulho não se cala: o anjo na foto é o meu filho Davi.
Abraços,
Posted by: Igor at maio 28, 2008 11:54 AM
Ah, Igor, você sabe que aqui está uma face sempre pronta para levar murros; um soco dos filhos de Pedro é infinitamente preferível a um beijo dos filhos de Judas. E prometo não te deixar em paz até que você esteja recitando os solas da reforma (em boa linguagem protestante, aquela mescla robusta de alemão, inglês e holandês), ou pior ainda, esteja falando em todas estas línguas, e mais algumas, numa igreja pentecostal ;)
E como eu disse ontem, para um protestante é mais estranho ver Maria coroada do que ver os anjos de all-star. Talvez seja um impulso iconoclasta, que não se importa em ver coisas sagradas feitas comuns, mas estranha ver o comum exaltado ao sagrado. Mas o Davi está perfeito de anjo.
Um abraço, seu papista. E entre no MSN!
Posted by: John Santos at maio 28, 2008 04:44 PM